quinta-feira, 5 de novembro de 2009

[ Bioengenharia de solos na proteção de cursos d'água ]

O solo é um dos recursos naturais de equilíbrio mais instável. Sua desestabilização tem início com a remoção da cobertura vegetal protetora (florestas, arbustos, forragens etc.), quando aparecem outras formas de uso e ocupação como a agricultura, pastagens e a ocupação urbana.

A perda da camada superficial do solo pela ação de fatores naturais, principalmente a água, contribui para o arraste de suas partículas constituintes, causando problemas como o assoreamento e alteração dos níveis de turbidez de cursos d'água.

As margens dos cursos d'água e encostas estão sempre sujeitas à ação do processo natural de erosão, no qual o solo erodido é transportado e depositado em outro local. Em certas condições, a velocidade da erosão em margens de cursos d'água pode aumentar, devido à remoção da vegetação, ao aumento da vazão dos rios e à ação de ondas provenientes de ventos e do movimento das embarcações.

A água é o principal agente dos processos de erosão e tem influência decisiva na estabilidade das encostas.

Em situação de processos erosivos intensificados, a água concentrada (por chuvas ou por ação humana) configura uma situação importante e preocupante, pois pode causar a desagregação e transporte do material erodido com grande facilidade devido à alta velocidade do fluxo d'água e à eventual baixa resistência do material das margens dos cursos d'água.

Embora sejam muito antigos, os problemas ambientais relacionados à erosão do solo estão entre os mais importantes a se enfrentar.

Em um contexto de valoração ambiental, tecnologias utilizadas no passado, e atualmente denominadas bioengenharia de solos, retornam como uma alternativa tecnológica em projetos de gestão dos recursos hídricos. A implantação de obras relativamente simples, que utilizem critérios ecológicos e de custo reduzido, surgem como solução para estabilizar, proteger, recuperar e recompor trechos ou mesmo a totalidade de alguns cursos d'água que têm suas margens comprometidas por processos erosivos.

A bioengenharia de solos é uma tecnologia que agrega princípios técnicos, ecológicos, estéticos e econômicos na estabilização de taludes fluviais, reduzindo a velocidade da água e o seu potencial de erosão e/ou aumentando as forças de resistência do material constituinte.

A difusão dessa tecnologia no Brasil e no mundo, junto ao meio técnico e aos órgãos públicos, e a promoção de sua utilização na estabilização e/ou proteção de margens de cursos d'água pode contribuir para tornar essa solução economicamente viável, comparada em relação aos métodos tradicionais da engenharia civil.

Essa alternativa tecnológica remonta aos antigos povos da Ásia e Europa. Na China, seu uso data de antes do século XII, quando os chineses utilizavam feixes de galhos (feixes de plantas vivas) para estabilizar margens de rios. No início do século XX, a China passou a utilizar técnicas similares para controle de erosão e enchentes ao longo do Rio Amarelo. Nos Estados Unidos, os primeiros registros datam de 1920, quando foi utilizada na estabilização de erosões em margens de cursos d'água e taludes (Durlo; Sutili, 2005).

Inserida no campo da ciência, a bioengenharia de solos compreende trabalhos que constituem a construção de estruturas físicas utilizando materiais inertes (pedras, madeiras, metais, geotêxteis), combinadas com material vegetal vivo (sementes, estacas, feixes de plantas vivas), fortalecendo encostas e margens de cursos d'água instáveis, porém, não substituindo a engenharia hidráulica ou a geotécnica tradicional, e sim complementando e melhorando os métodos de construções tradicionais (Araujo; Almeida; Guerra, 2007).

Bioengenharia no mundo e no Brasil

Amplamente difundidas no exterior e utilizadas há décadas na Europa Central, em países como Alemanha, Suíça, Norte da Itália e Áustria e, também, na América do Norte, as técnicas de bioengenharia de solos são reconhecidas como uma importante ferramenta na estabilização e/ou recomposição de encostas, áreas degradadas, margens de cursos d'água, córregos, barragens e problemas ambientais que afetam taludes de rodovias.

Foto 1 - Estabilização de margem: Live Cribwall (Soldotna, Alaska). Robbin B. Sotir & Associates, Inc.

O cribwal, estrutura de contenção que consiste em um arranjo estrutural de madeira ou pré-moldado de concreto, na forma de gaiola (berço), preenchido com solo compactado, pedras e mudas, faz parte dessas técnicas e foi empregado ao longo das margens do Rio Kenai, no Alaska (foto 1) para estabilizar o processo erosivo e restabelecer a vegetação. A técnica pode ser aplicada para diferentes abordagens e objetivos.

Foto 2 - Restauração do ambiente aquático e da qualidade da água. Portland, Oregon. Robbin B. Sotir & Associates, Inc.

Diferentes técnicas da bioengenharia de solos foram empregadas nas margens de um curso d'água em área urbana de Portland, Oregon (EUA), com o objetivo de restaurar o ambiente aquático e a qualidade da água afetados durante a construção de uma nova ponte (foto 2).

O projeto que consistiu do emprego de geogrelhas vegetadas, camadas de ramos de árvores e feixes de vegetação, experimentou várias enchentes com longos fluxos e, após a ocorrência desses eventos, a cada ano, continuou mostrando-se eficiente na função ambiental para a qual foi projetada.

Na Europa, em muitos casos, a bioengenharia de solos é praticada como alternativa às técnicas tradicionais de engenharia na solução de problemas ambientais, quando corretamente empregadas. Especialmente na Áustria, ela é empregada na renaturalização de cursos d'água que, no passado, foram quase totalmente retificados, calçados e/ou concretados por métodos tradicionais (Sutili, 2007). No Brasil, as técnicas de bioengenharia de solos ainda são incipientes, por escassez de pesquisas e na utilização, estando restritas a aplicações em reservatórios artificiais e taludes de rodovias.

Foto 3 - Gabião caixa. Córrego Bussocada, Osasco (SP)

Comumente, na estabilização ou proteção de margens de cursos d'água e córregos não canalizados que sofrem processos erosivos, são empregados projetos da engenharia tradicional como gabiões tipo caixa, que são estruturas constituídas de tela de arame revestido ou não, preenchidos com pedras (foto 3).

No entanto, já podem ser observadas iniciativas de construção de medidas estruturais adotando-se técnicas da bioengenharia de solos, em caráter experimental, como as realizadas por pesquisadores da Universidade de Santa Maria, na área de drenagem do Arroio Guarda Mor, no município de Faxinal do Soturno, no Rio Grande do Sul, onde ocorreram problemas de instabilidade resultantes da ação da água, provavelmente pela presença de touceiras de taquaras plantadas sobre o talude (Durlo; Sutili, 2005).

Em um trecho do Arroio Guarda Mor, com aproximadamente 4 m de altura e 40 m de extensão, os pesquisadores optaram pela construção de uma parede vegetada de madeira ou parede-Krainer (Krainerwand em alemão), utilizando material vegetativo como as mudas, estacas vivas e feixes vivos, e como material construtivo, troncos e pilotis de eucalipto, estacas roliças, arames e grampos de cerca, em uma sequência construtiva que permitiu o desenvolvimento adequado das espécies naquelas condições ambientais.

Foto 4 - Margem erodida. Sutili (2003)

Foto 5 - Margem recuperada. Sutili (2005)

Para a construção da parede-Krainer (fotos 4 e 5), realizou-se uma intervenção física no talude, com o objetivo de proporcionar condições mais estáveis para então receber a vegetação e um tratamento vegetativo. Essa intervenção consistiu na inserção de estacas vivas de forma ordenada sobre o talude, que, por propagação vegetativa, daria início à vegetação, que se desenvolveria apoiada na proteção física até a sua consolidação e que fosse suficiente para manter a estabilidade do talude.

O resultado obtido com a implantação da parede-Krainer (Durlo; Sutili, 2005) produziu os efeitos esperados na proteção e estabilização da nova margem do Arroio Guarda Mor, mostrando-se capaz de solucionar problemas com grau razoável de dificuldade, mantendo a estabilidade do talude em situação de eventos torrenciais.

Foto 6 - Margem recuperada. Neves (2007)

Conforme preconiza a bioengenharia de solos, nas margens do córrego Judas, que entrecorta o Parque Municipal Severo Gomes e deságua no rio Pinheiros, localizado na Granja Julieta, município de São Paulo, foi construída uma estrutura de madeira (parede de madeira roliça), utilizando material inerte, disponível no Parque, de antigas construções do playground e da ponte de madeira sobre o córrego Judas (foto 6).

Foto 7 - Margem erodida. Neves (2005)

A construção da parede teve como objetivo estabilizar o processo erosivo instalado nas margens do córrego (foto 7), decorrente do aumento da velocidade da água após intensas chuvas, elevando o nível da água até 3 m de altura.

Em conjunto com a construção da parede de madeira, a existência de uma espécie herbácea, o lírio-do-brejo (Hedychium coronarium), adaptada a ambientes sombreados e úmidos, pode exercer a função de proteção do talude evitando a erosão laminar.

Por que empregar a bioengenharia de solos?

Considerando-se que as atividades humanas voltadas ao desenvolvimento econômico são as maiores responsáveis pela degradação ambiental relacionada aos processos erosivos, tem-se a necessidade de buscar novas tecnologias para solucionar esses problemas, mesmo quando tais tecnologias, na realidade, possam ser novas adaptações de práticas já conhecidas.

A bioengenharia de solos vem ao encontro dessa necessidade e tem como finalidade recuperar o local atingido, imitando ou acelerando o que está ocorrendo naturalmente, atuando na estabilização de taludes fluviais, reduzindo a velocidade da água e, portanto, reduzindo o potencial de erosão e/ou aumentando as forças de resistência do talude (Araújo; Almeida; Guerra, 2007).

Tal tecnologia é considerada uma alternativa promissora para solucionar casos de degradação ambiental, especialmente aqueles decorrentes do processo erosivo natural dos cursos d'água, ou resultantes de ações antrópicas de ocupação, envolvendo tanto perdas econômicas quanto situações de risco. Esses casos podem ser mitigados ou solucionados, contribuindo na estabilização dos taludes marginais, na recuperação da mata ciliar e na estabilização de processos erosivos em margens de reservatórios voltados à geração de energia elétrica.

A bioengenharia de solos, por apresentar técnicas de melhor aplicabilidade econômica e ambiental, em especial no Brasil, fornece condições favoráveis como o desenvolvimento da vegetação, o baixo custo e consumo de materiais e mão de obra e, dependendo da obra a ser realizada, com dispensa do uso de maquinários pesados.

O emprego de técnicas da bioengenharia de solos pode ser um caminho na recuperação de cursos d'água com o uso dos recursos existentes na região, a ser adotado pelas administrações de municípios carentes que não dispõem de recursos financeiros para investir em obras da engenharia convencional.

Como tecnologia, pode ser uma solução igualmente eficaz comparada aos métodos convencionais da engenharia civil, muito embora não seja a única solução para todos os problemas relacionados à estabilização de solos, taludes, controle de erosão em margens de cursos d'água, reservatórios etc. As vantagens e limitações da biotecnologia devem ser avaliadas, considerando-se uma série de fatores processuais condicionantes, como clima, geologia, solo, hidrografia e vegetação local, e agentes como água, vento, temperatura e o próprio homem.

No entanto, o sucesso das obras de bioengenharia de solos na estabilização de encostas, tratamentos de boçorocas e controle da erosão de forma geral, principalmente as de origem fluvial, dependerá de um melhor conhecimento das técnicas de engenharia envolvidas, além das propriedades da vegetação.

Considerando-se as vantagens dessa tecnologia, é recomendável aprofundar os estudos quanto à avaliação do desempenho das diversas técnicas empregadas, características da bioengenharia de solos.


Matéria publicada na Revista Téchne,por Maria Lúcia Solera, bióloga CT-Floresta - Seção de Sustentabilidade de Recursos Florestais, Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo.

Leia Mais
Gestão Ambiental de Áreas Degradadas. G. H. Araujo; J. R. Almeida & A. J. T. Guerra. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil Ltda., 2a. ed., 2007.
Bioengenharia: Manejo Biotécnico de Cursos de Água.
M. A. Durlo; F. J. Sutili. Edições EST. Porto Alegre, 2005, 189p.: il.
An alternative for roadside management.
Soil Bioengineerng. A pratical guide. United States Departmente of Agriculture ForestService. L. Lewis, Califórnia, 2000.
Benefits of Soil Engineering. Robbin B.
Sotir & Associates, INC. Disponível em: . Acesso em: 30 jul. 2008.
Bioengenharia de solos no âmbito fluvial do Sul do Brasil. F. J. Sutili, 2007. Tese (Doutorado). Departamento de Engenharia Civil e Perigos Naturais. Instituto de Bioengenharia de Solos e Planejamento da Paisagem, Universidade Rural de Viena, Áustria, 2007.

http://www.revistatechne.com.br/engenharia-civil/149/artigo149943-1.asp


[ Passarela Verde ]

Arquiteto canadense propõe parque de 7 km acima de elevado em Toronto. Passarela verde foi apresentada como solução contra a demolição da Gardiner Expressway.


O arquiteto Les Klein, do escritório canadense Quadrangle Architects, apresentou projeto para a criação de um parque acima da Gardiner Expressway, uma das vias mais movimentadas de Toronto, no Canadá. A passarela verde, como o projeto ficou conhecido, teria 7 km de extensão e abrigaria árvores, pistas de ciclismo e estandes com lojas. A ideia foi mostrada durante o "Moses Znaimer's ideaCity", evento anual que reúne os principais artistas, arquitetos, médicos, cientistas e outros pensadores do País.


O projeto seria uma solução para o governo municipal, que sofre pressão para demolir trechos da Gardiner Expressway. Segundo especialistas locais, a grandiosidade da via, que é semelhante ao Elevado Costa e Silva, popularmente conhecido como "minhocão", em São Paulo, impede que a área próxima ao lago Ontário se torne um ponto turístico da cidade.

O parque, além de facilitar a visão do lago, também protegeria a Gardiner Expressway da chuva, da neve e, consequentemente, do sal, reduzindo assim o desgaste da pista e os custos de manutenção.

A passarela verde ainda contribuiria com a sustentabilidade por prever aquecedores solares e turbinas de vento que gerariam a iluminação em todo o parque e também na avenida. O projeto, que pode ou não ser adotado pelo governo, está estimado entre 500 e 600 milhões de dólares canadenses.

Por Ana Paula Rocha. 23/Junho/2009.

http://www.piniweb.com.br/construcao/urbanismo/arquiteto-canadense-propoe-parque-de-7-km-acima-de-elevado-142352-1.asp

Fotos:

http://www.flickr.com/photos/bradto/3871832325/sizes/l/

http://www.flickr.com/photos/jbpeters/205282711/sizes/o/

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

[ Segurança ] Luis Fernando Verissimo

"O ponto de venda mais forte do condomínio era a sua segurança. Havia belas casas, os jardins, os playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de tudo, segurança. Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV. Só entravam no condomínio os proprietários e visitantes devidamente identificados e crachados.

Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e assaltavam as casas.

Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro alto. Nos quatro lados. As inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a usar crachá. Os proprietários e seus familiares também. Não passava ninguém pelo portão sem se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês.
Mas os assaltos continuaram.

Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no final todos concordaram. O mais importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardas com ordens de atirar para matar.
Mas os assaltos continuaram.

Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, e o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a segunda cerca, de arame farpado, erguida dentro do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas. Todas as jaenlas foram engradadas.

Mas os assaltos continuaram.

Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo possível. Dois assaltantes tinham entrado no condomínio no banco de trás do carro de um proprietários, com um revólver apontado para a sua nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro roubado, com crachás roubados. Além do controle das entradas, passou a ser feito um rigorosos controle das saídas. Para sair, só com um exame demorado do crachá e com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem aceitava suborno.
Mas os assaltos continuaram.
Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de mais posses, com mais coisas para serem roubadas, mudaram-se para uma chamada área de segurança máxima. E foi tomada uma medida extrema. Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos.

E ninguém pode sair.

Agora, a segurança é completa. Não tem havido mais assaltos. Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa, olhando melancolicamente para a rua.

Mas surgiu outro problema.

As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquer maneira atingir a liberdade.

A guarda tem sido obrigada a agir com energia."

E ainda há quem compre ilusão ...

[ Toda intervenção na cidade é necessariamente plural. É urbanística, arquitetônica, política, cultural e artística. A particularidade (...) consiste em reconhecer essa complexidade, em que as ações não são vistas isoladamente – segundos regras próprias, como num museu – mas no interior desse campo mais amplo que é a cidade.

Como intervir num universo desprovido de sistema centralizador e unificador? Trata-se de lidar com o indeterminado, o que escapa, o que não tem medida. Toda intervenção na cidade existente deve levar em conta esse imponderável. Não se detém por completo o controle das ações realizadas.

Toda intervenção é necessariamente pontual, sem pretender abranger o todo. Aqui predomina o principio da ação/reação. Cada gesto provoca contínuas rearticulações, dando novas funções e sentidos para locais e serviços.

A intervenção é uma inscrição num fluxo mais amplo e complexo que é a dinâmica urbana. Implica em entender a cidade como algo em movimento. Não na forma de vetor progressivo, orientado, mas em várias direções.

Intervir: um gesto sobre o que já está em movimento. Como surfar ou entrar numa freqüência. É um paradigma (...) em que sempre se entra em movimento. ] (PEIXOTO, Nelson Brissac. Intervenções Urbanas: Arte/Cidade.São Paulo, Editora Senac, 2002)

sábado, 31 de outubro de 2009


[ Coisas que você deve saber antes de entrar na faculdade ]

1. Não importa o quão tarde é a sua primeira aula, você vai dormir durante ela;
2. Você vai mudar completamente e nem vai notar;
3. Você pode amar várias pessoas de maneiras diferentes;
4. Alunos de faculdade também jogam aviões de papel durante as aulas;
5. Se você assistir às aulas calçado, todo mundo vai perguntar por que você foi tão chique para a faculdade;
6. Cada relógio no prédio mostra um horário diferente;
7. Se você era inteligente no colegial... azar o seu!
8. Não importa tudo o que você prometeu quando passou no vestibular,
você vai às festas da faculdade, mesmo que sejam na noite anterior à prova final;

[ calorada - 2005.09.22 ]

[ ELEA TUCUMAN - 2004.10.15 ]
9. Você pode saber toda a matéria e ir mal na prova;
10. Você pode saber nada da matéria e tirar dez na prova;
11. A sua casa é um ótimo lugar para se visitar;

[ ELEA TUCUMAN - 2004.10.15 ]

[ EREA VIÇOSA - 2005.04.22 ]

[ ENEA SÃO PAULO - 2005.07.20 ]
[ ENEA SÃO PAULO - 2005.07.20 ]

12. A maior parte da educação é adquirida fora das aulas;
13. Se você nunca bebeu, vai beber;

14. Se você nunca fumou, vai fumar;
15. Se você nunca transou, vai transar;
16. Se você não fizer nada disto durante a faculdade, não fará nunca mais na vida, a não ser que você faça uma nova faculdade;
17. Você vai se tornar uma daquelas pessoas que seus pais falaram para você
não se meter com elas;
18.Psicologia é, na verdade, biologia;
19. Biologia é, na verdade química.
20. Química é, na verdade física;
21. Física é na verdade matemática;
22. Ou seja, que mesmo depois de estudar anos, você não vai saber nada;
23. Que sentir, depressão, solidão e tristeza, não são frescuras de quem não tem o que fazer;
24. Que você sempre vai prometer que no próximo semestre você vai
estudar mais, festiar menos, mas sempre acontecerá o contrário;
25. As únicas coisas que compensam na faculdade são os amigos que você fará lá;

[ ELEA TUCUMAN - 2004.10.17 ]

[ ENEA SÃO PAULO - 2005.07.20 ]



26. Não verá a hora de terminar a faculdade;

[ DIAS DE PG COLETIVO - 2009.10.20 ]

27. E quando terminar, perceberá que foi a melhor época de toda a sua vida.


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

[ dias de PG ]

é que passar os dias com os amigos rende muito, principalmente quando todo mundo está no mesmo barco... rs!

macro-implantação...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

[ as estruturas urbanas verdes ]
Pellegrino (2006) denomina infra-estrutura verde como o conjunto de espaços livres ou áreas verdes que ligam o meio urbano ao campo vizinho, exercendo as múltiplas funções de:
• Manter, criar e enriquecer os habitats e proteger a diversidade de espécies;
• Proteger os recursos hídricos e ajudar no manejo das águas pluviais, reduzindo a exposição dos moradores às áreas de risco de inundação;
• Contribuir para a melhoria do clima local, bem como, pelo efeito acumulativo, influir no conjunto do espaço urbano metropolitano;
• Reduzir os problemas de saúde pública pelo controle do contato com solo e água contaminados, bem como pela promoção de atividades físicas, redução do estresse pelo oferecimento de espaços para contemplação, interação social e expressão cultural;
• Criar um retorno financeiro de longo alcance em termos de valor de propriedade, investimentos urbanos e, finalmente, no aumento da base fiscal municipal;
• Oferecer alternativas menos custosas que a de uma infra-estrutura urbana tradicional, cujo valor aumenta ao invés de diminuir com o tempo.

O objetivo principal da criação dessas tipologias é buscar o ajuste ideal entre recursos naturais e sociais, com estratégias de conservação adequadas ao lugar, de modo a promover o desenvolvimento necessário e equilibrado, uma vez que a estrutura ecológica enfatiza a importâncias dos espaços abertos e verdes como partes de sistemas interconectados (MENEGUETTI, 2007).
Dentre as tipologias mais comuns estão :
Referências ...

PELLEGRINO, Paulo Renato Mesquita, at all. Rios e Paisagens Urbanas em cidades brasileiras. Lúcia Maria Sá Antunes Costa (org.). Rio de Janeiro: Viana & Mosley: Ed. PROURB, 2006.

MENEGUETTI, Karin Schwabe. De cidade-jardim a cidade sustentável: potencialidades para uma estrutura ecológica urbana em Maringá – PR. Tese. (Doutorado – Área de Concentração: Paisagem e Ambiente) – FAUUSP. São Paulo, 2007. Disponível dia 04.06.2009 às 10h20min, no link:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=124012
[ o caso de Seattle ]
O projeto Open Space Seatlle 2100, é uma coalizão entre arquitetos, urbanistas, paisagistas, engenheiros, liderança comunitária, estudantes e cidadãos em geral, juntamente com a liderança pública na intenção de criar um plano de estratégias, para os próximos 100 anos, buscando desenvolver idéias para melhorar o bem-estar do ambiente cultural e natural da cidade. Com a visão de que a infra-estrutura verde será o conceito guia no sentido de criar uma cidade saudável e bonita, maximizando o potencial econômico, social e ecológico.

Em fevereiro de 2006 a o Departamento de Arquitetura Paisagística da Universidade de Washington buscou reunir dirigentes, diversos profissionais e cidadãos da cidade de Seattle para criar um plano para a implantação de um sistema de espaços abertos, que alcançariam além do centro urbano todos os limites da cidade, com a criação de parques, espaços cívicos, ruas trilhas, florestas urbanas que ligariam os bairros, estabelecendo corredores ecológicos com o objetivo de garantir que todos os cidadãos possam desfrutar destes espaços no futuro.


Espera-se que em 100 anos a população da cidade de Seattle dobre, partindo deste pressuposto o planejamento para a região devem enfatizar a necessidade de concentrar o crescimento da população, caso contrário o desenvolvimento vai continuar a expansão, envolvendo as áreas rurais e silvestres que devem ser conservadas.

Para que Seattle continue habitável, deve ser oferecido um sistema de espaços livres que ofereçam às pessoas o acesso aos espaços verdes e sociais onde vivem e trabalham. Esta proposta não é uma novidade para a comunidade, uma vez que a base do trabalho está relacionado ao sistema de parques iniciado em 1903 por Olmsted.

Olmsted acreditava que uma cidade com mais espaços abertos e com oferta de área de recreação para a comunidade propiciaria um estilo urbano mais agradável. A população das cidades sempre sente necessidade de espaços abertos públicos abertos, onde possa encontrar um cenário tranqüilo que tenha a ação de um antídoto contra as pressões e as tensões do trabalho.

Parte do esforço de Olmsted em educar o público norte-americano sobre a importância da existência dos parques foi mostrar seus benefícios a todas as classes sociais indistintamente e também seu papel como ponto de encontro para tosos os cidadãos, independentemente de sua formação (BEVERIDGE apud MACEDO, 2003).

A proposta de Open Space 2100 pode ser traduzida como a implantação de um sistema de espaços livres, interconectado, que proporcionará habitat e passagem para fauna e flora, além de criar uma cidade habitável, onde as pessoas e a vida selvagem podem prosperar juntas.

O plano de metas geral consiste em oito princípios: responsabilidade regional; integração multifuncional; equidade e acessibilidade; conectividade; qualidade, beleza, identidade e enraizamento; função ecológica; saúde e segurança; e a viabilidade (MARYMAN; ROTTLE, 2006).



A cidade foi dividida em 18 regiões (que representam as bacias hidrográficas), e em cada uma desta as equipes elaborou um plano de curto e longo prazo, estabelecendo as prioridades e estratégias de implementação. Sendo capazes de criar mapas detalhados representando os estágios para daqui a 20 e 100 anos.



Referência...
MACEDO, Silvio Soares Parques Urbanos no Brasil. Silvio Soares Macedo e Francine Gramacho Sakata. 2ª Ed. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Imprensa oficial do Estado de São Paulo.
MARYMAN, Brice; ROTTLE, Nancy. Open Space Seattle 2100. Department of Landscape Architecture. College of Architecture and Urban Planning. University of Washington. 2006. Disponível em 12.06.2009, às 16h25min. No link:
http://depts.washington.edu/open2100/project.html
[ e se os espaços livres estivessem em rede ?! ]

Nos estados do Noroeste do Pacífico as cidades dos Estados Americanos do Oregon e Washington, assim como na província canadense da Colúmbia Britânica existem um movimento de implantação do conceito de Infra-estrutura verde, com criação de paisagens urbanas que mimetizam funções ecológicas e hidrológicas em ambientes naturais.
A administração pública, juntamente com o meio acadêmico, principalmente nas cidades de Portland, Seattle e Vancouver, vem reconhecendo e aproveitando cada vez mais os serviços que a natureza pode realizar.
Com a implantação de redes de espaços livres urbanos (parques, corredores verdes, e espaços naturais preservados), tratados paisagisticamente para desempenhar o papel de estruturas relacionadas ao manejo das águas urbanas, conforto ambiental, biodiversidade, acessibilidade, deixando de ter apenas a função de embelezamento urbano. Formando redes que seguem os princípios da ecologia da paisagem e do planejamento de bacias (CORMIER; PELLEGRINO, 2008).

Infra-estrutura verde é uma rede de espaços livres, que conservam valores e funções dos ecossistemas naturais, além de proporcionar benefícios associados às populações humanas
(BENEDICT; McMAHON, 2001).

Desta foram a infra-estrutura verde representa, segundo Benedict, Allen e McMahon (2004) a próxima geração de conservação ambiental, porque liga a conservação da terra em beneficio das pessoas, num quadro de planejamento, buscando conservação e desenvolvimento. Pois forja uma importante ligação entre a conservação dos solos e utilização das terras. Diferentemente das abordagens mais convencionais de conservação, a infra-estrutura verde procura planejar estratégias de utilização dos solos e conservação dos terrenos, e ao fazê-lo proporciona um quadro que reúne interesses públicos, privados visando uma conservação estratégica.
Referências...
PELLEGRINO, Paulo Renato Mesquita, at all. Rios e Paisagens Urbanas em cidades brasileiras. Lúcia Maria Sá Antunes Costa (org.). Rio de Janeiro: Viana & Mosley: Ed. PROURB, 2006.
BENEDICT, Mark; ALLEN, Will; McMAHON, Edward. Advancing strategic conservation in the commonwealth of Virginia. The Conservation Fund, Center for Conservation and Development, 2004. Disponível dia 04.06.2009 às 10h30min, no link: http://www.conservationfund.org/sites/default/files/vascopingstudy.pdf
BENEDICT, Mark; McMAHON, Edward. Green Infrastructure: Smart Conservation for the 21st Century. The Conservation Fund. SPRAWL WATCH CLEARINGHOUSE MONOGRAPH SERIES. 2001. Disponível dia 04.06.2009 às 10h25min, no link: http://www.conservationfund.org/sites/default/files/GI_SC21C.pdf

terça-feira, 13 de outubro de 2009

[ arquiTUDOS - ou aquela outra coisa]

RECEBI ESSE TEXTO POR EMAIL, E ACHEI SUPER VÁLIDO POSTAR. AFINAL...
[ "Pensei vagamente em estudar arquitetura, como todo o mundo. Acabaria como todos que eu conheço que estudaram arquitetura: fazendo outra coisa. Poupei-me daquela outra coisa, mesmo que não tenha me formado em nada e acabado fazendo essa outra coisa." Uma vez, sentado por pura coincidência (e deferência do diretor regional do Sesc) em uma mesa de quatro pessoas em um show na showperia do Sesc Pompeia, não tive a coragem de trocar uma só palavra com meu ídolo, autor dessa frase e conhecido pela sizudez: o escritor e jazzista Luis Fernando Veríssimo.

Porém sempre tive a curiosidade de entender porque há tantas pessoas famosas em outras atividades, mas cuja formação universitária é arquitetura. Evidentemente, a universidade proporciona uma base cultural que possibilita aos portadores de um diploma aventurar-se por diversas áreas do conhecimento ou, no caso de cursos fracos, do desconhecimento. Assim há médicos atuando no circo; engenheiros e advogados trabalhando em tudo o que é possível. Os engenheiros, por sua boa formação, fazem absolutamente de tudo e alcançam posições importantes em grandes empresas e órgãos oficiais.
A verdade é que um país se constrói (literalmente) com engenheiros, e o maior exemplo é a impressionante quantidade deles que dirigiu a antiga União Soviética.
As universidades, mesmo as mais fracas, possibilitam a seus alunos um desenvolvimento intelectual. Ainda que os cursos sejam falhos e os professores piores ainda, o ambiente abre a cabeça dos jovens. As faculdades de arquitetura, em particular, por todo o aspecto cultural que cerca a profissão, oferecem muitos caminhos.
Este texto é apenas uma listagem curiosa (e bastante incompleta) de como nossos coleguinhas se viram, e muito bem, "naquelas coisas" do Veríssimo. Favor não interpretar erroneamente a expressão "naquelas coisas", muito embora haja o boato de que alguns arquitetos também são razoáveis "naquelas outras coisas".

Então aí vai uma listinha, que os ingleses chamam de shortlist, de arquitetos ou ex-tudantes de arquitetura (não entram na lista artistas plásticos ou cenaristas porque ela se tornaria uma lista telefônica):

Músicos: Falcão, Elomar, Fausto Nilo, Maranhão, os irmãos Caruso, Billy Blanco, Arrigo Barnabé, Guilherme Arantes, Francisco Buarque de Holanda e Antonio Carlos Brasileiro (e pré-ecológico) de Almeida Jobim
Escritores: Milton Hatoum e José Agripino de Paula (meu colega "Lapa")
Chefs: Ana Soares e Roberto (quem diria) Ravioli
Garoto-propaganda: o ótimo ator Carlos Moreno (Bombril)
Esportistas: Ícaro de Castro Mello (com esse nome só podia ser recordista sul-americano do... salto com vara!)
Assassinos: Albert Speer, ministro de armamentos do 3o Reich e 2o homem da Alemanha nazista, que ainda desenhava casinhas na Baviera (e a Berlim dos 1.000 anos) e Mohammed Atta, o piloto egípcio que comandou o ataque ao World Trade Center
Presidentes: Belaúnde Terry (Peru); Sukarno (Indonésia), Thomas Jefferson (EUA), que nas horas vagas projetava Washington
Assessores presidenciais (ninguem é perfeito): José Expedito Prata (FHC) e Clara Ant (Lula)
Costureiros, ou, mais chique, estilistas: Pierre Balmain, Gianfranco Ferré, Cristobal Balenciaga, Gianfranco Gianetti (sócio de Valentino Garavani), além de Albert de Givenchy, Paco Rabanne que fizeram a École des Beaux Arts ou Arts Décoratifs e John Galliano
Uma história curiosa: quando trabalhava em Londres, me inscrevi em dois cursos noturnos de design na Central School of Arts and Crafts e na St. Martins College of Art and Design. Na St. Martins descobri rapidamente que não ensinavam design, só moda e fiz a besteira de largar o curso onde estudavam as mocinhas mais bonitas e finas de Londres, vestidas com as famosas mini de Mary Quant. Pois bem, John Galliano estudou aí.
Enfim, nossa profissão e nosso dia a dia são muito duros para falarmos só de seus problemas.
Podemos de vez em quando nos dar ao luxo de "relaxar e gozar", como aconselhou uma ministra durante a crise aérea. Vamos enfim pensar que arquitetura também tem as suas 1.001 (f)utilidades, como a decoração.
E lembrar de sua mais brilhante representante: Natália Guimarães, a miss Brasil. ] Sergio Temperman.